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Archive for março \16\UTC 2010

Senta que lá vem história… O post de hoje é quilométrico!

Na manhã de hoje, no Twitter, eu tive mais um exemplo da dificuldade que muita gente tem de interpretar o que o outro diz/escreve. Acredito que seja porque as pessoas estão tão acostumadas com a mania de falar em meias palavras e de deixar claro o que quer falando de forma direta, que acabam interpretando mal quando topam com alguém que, como eu, gosta de simplificar.

O @Cardoso estava tuitando críticas aos religiosos que, por opção, escolhem não doar órgãos, ou não doar sangue, etc. Em um dado momento, ele citou as vacinas. Neste momento, eu apresentei a minha opinião sobre o tema. Seguem os tweets que trocamos (só retirei as partes em que usei exemplo, me atendo ao principal, mas quem quiser ler completo, pode entrar na página do @Cardoso e na minha para ler tudo):

Eu:
1) O maior problema com as vacinas, no meu entendimento, é a ausência de informações sobre os reais riscos que elas podem oferecer.
2) Em alguns países, os pais têm q assinar termo de responsabilidade assumindo q conhecem os possíveis riscos antes de vacinar o filho,
3) Aqui a vacina é simplesmente empurrada, sem qq informação. Sem falar qnd dão 2, 3 de uma só vez, sem avisar dos efeitos colaterais.
4) Eu jamais daria, por exemplo, Tamiflu a minha filha. Não houve tempo suficiente pra testarem essa vacina e já querem nos empurrar.
[Abre parênteses]Aqui eu me confundi e chamei a vacina contra a gripe H1n1 de “Tamiflu”, quando na verdade este é o nome do antiviral que está sendo utilizado no tratamento da doença. Desculpem-me![Fecha parênteses]

@Cardoso:
1) O que mais existem são informações sobre os “reais” riscos. Ex: O mundo civilizado desde os anos 50.
2) Existem dois riscos: ).00001% de chance da criança ter uma reação e 100% de chance de pegar sarampo se não tomar.
3) TODA campanha de vacinação alerta dos efeitos colaterais.

Eu:
5) Existe pra quem tem estudo, se informa. E os q não têm instrução, q não são orientados nos postos médicos? O pobre é quem + sofre.
6) Enfim… Um dos grandes problemas da saúde pública no Brasil passa pela falta de uma Educação de qualidade pro nosso povo.

@Cardoso:
4) muito bom @LiaSMarcondes você está certa. Vacinas são perigosas, não vacine sua filha. Darwin e fabricantes de caixões agradecem.

Acho que já deu para entender o que houve? Como eu disse no Twitter, é como se estivesse escrito “não quero bolo hoje” e a pessoa entendesse: “eu odeio todo e qualquer tipo de bolo”. Interpretação de texto: ZERO! Seguimos a partir daqui.

Uma pessoa determinada a discordar de você, tem a capacidade incrível de distorcer tudo o que você diz. Citei o caso de um bebê que vi seriamente doente porque tomou dois tipos de vacina que, eu sabia porque tinha pesquisado, tem uma incidência muito grande de reações fortes se tomadas juntas (como isto já tem mais de 3 anos, não lembro exatamente quais foram as duas vacinas). Se a mãe daquele bebê tivesse sido avisada da possibilidade de uma reação como a que o filho dela teve, ela teria tido a chance de escolher assumir o risco de dar as duas vacinas juntas, ou de dar uma e, depois de um intervalo, dar a outra. Na segunda opção, o pobrezinho não teria sofrido com a forte reação à junção das duas vacinas que teve. E quando disse à minha pediatra que no posto de saúde brigaram comigo porque recusei a dar as duas vacinas juntas, e fiz a opção pelo intervalo, ela não apenas disse que era exagero meu, como quis fazer parecer que não era nada demais. Aí falei que tinha na recepção do consultório dela um bebê esperando atendimento justamente por ter tomado as mesmas vacinas JUNTAS, e ela disse: “Ah, é só um caso em centenas.”

Claro, doutora… É “só um caso” porque o filho não é o SEU. Se a cada, sei lá, 5 milhões de pessoas que tomam um certo remédio, 50 morrerem, “são só 50” se entre os 50 não estiver você ou alguém que você ama. É assim? Ou seja… se é com os outros ou na família dos outros, é “dado irrelevante”. Simplesmente absurda esta lógica! Se a coisa não é 100% segura, não adianta ficar mascarando e pintando um quadro feliz. Se existe 1% de chance de dar errado, eu tenho direito de saber disso e escolher se quero ou não assumir este risco.

Eu não estou aqui pregando para ninguém que vacina é perigoso e que as mães não devem vacinar seus filhos. Estou defendendo que esta, assim como qualquer outra decisão que tomamos em nossas vidas, deve ser uma questão de escolha, e que esta escolha seja baseada em conhecimento total dos fatos.

Aqui vão me dizer: “Ah, mas e um analfabeto lá vai entender o que é efeito colateral? As doenças precisam ser erradicadas e esse povo só toma assim, sob pressão, só tomam se obrigados.”

Espera um pouco… Então é esta a justificativa para a vacinação ser compulsória (praticamente obrigatória, porque se uma mãe resolver não vacinar, é logo acusada de ruim e negligente e querem logo tirar a guarda dos filhos dela, não importa quão boa ela seja para eles)? Para combater a ignorância, vamos usar a força bruta? Na minha opinião, se a questão esbarra na ignorância do povo, então o problema é outro. Como eu também disse no Twitter: no Brasil nós vivemos uma “democracia” onde os nossos “direitos” são todos obrigatórios ou compulsórios, menos uma Educação de qualidade.

Aliás, posso falar com segurança do ponto de vista de quem já militou “do outro lado”, como profissional de saúde que fui, que grande parte dos problemas de saúde do brasileiro se deve a dois fatores: 1) Total deficiência na Educação (desde a sua base até o acesso); 2) Má vontade política. Para reforçar, vou dar um exemplo verídico. No final da década de 90, fui voluntária de campanha de vacinação, indo para o meio mato do sertão baiano levar vacina nos povoados mais distantes. Lá eu via de tudo… e tudo o que eu via poderia ser resolvido com instrução e boa vontade dos políticos responsáveis por aquela região. Criança morrer de GRIPE, minha gente… GRIPE! O que é isto, senão o fruto de uma cadeia de fatores que, no fim, nos levam aos menos 2 itens que relatei. Duvidam? Vamos conhecer alguns fatos por trás da história:

A) Os pais, analfabetos, viviam de agricultura de subsistência, mas entregues ao tempo, sem qualquer conhecimento de técnicas de convívio com a seca (como cavar poços, construir cisternas para armazenar água, etc). (Refere-se ao item 1)
B) A casa ficava em um distritozinho distante, à beira de estrada de terra, sem saneamento básico, e uma fossa foi construída nos fundos da casa, bem perto da casa, sem qualquer cuidado ou isolamento. (Refere-se ao item 2)
C) Sem escolas perto, as crianças também não tinham acesso ao estudo. Mesmo as mais velhas, de 10 anos, ainda eram analfabetas. (Refere-se ao item 1)
D) O bebê que morreu de fraqueza depois de uma gripe, a mãe disse que levou num hospital e lá eles disseram que a criança estava desnutrida, e por isto não resistiu a uma doença simples, que acabou se tornando mais forte, porque o corpinho do bebê não foi capaz de se defender sozinho com a falta de nutrientes. A mãe, chorando, me contou que já tinha tentado emprego ‘na cidade’, mas que nem pra faxineira estavam aceitando gente que não sabe ler. (Refere-se ao item 1) Contou ainda que demorou a levar no hospital, porque era muito longe (Refere-se ao item 2) e ela teve que sair tentando de porta em porta com os vizinhos, juntar centavos que e outro davam a ela, pra pagar um transporte que a levasse ao hospital (Refere-se ao item 2) com o bebê. Quando ela conseguiu juntar o dinheiro que precisava (que nem era muito… menos de 15 reais), a criança já estava bem fraca. Ficou 2 dias no hospital e acabou morrendo, porque demorou muito naquele estado de desnutrição+gripe.

Agora vamos analisar… Se essa mãe tivesse estudado, poderia ainda ser pobre? Poderia. Mas ela poderia ter um trabalho remunerado? Poderia. Se além de ter um trabalho, nosso governo oferecesse um salário signo e cobrasse menos impostos, ela poderia com a sua renda, ainda que fosse pequena, dar uma alimentação decente para seus filhos, evitando a desnutrição? Poderia. Se tivesse educação, ela poderia ter entendimento sobre a importância da higiene na prevenção de várias doenças? Poderia. Se os governantes locais oferecessem acesso fácil aos serviços de saúde e transporte gratuito para aquele povoado, ela poderia ter levado a criança a um médico em tempo hábil? Poderia.

Olhem quantas oportunidades de ter salvado a vida do filho essa mãe perdeu, por falta de uma educação de qualidade, de acesso fácil a todos, e por causa da má vontade política em resolver os problemas! Ou seja: a questão da saúde não vai ser resolvida obrigando ou não as pessoas a agirem desta ou daquela forma.

Agora, chegando no foco da coisa (que me vez vir aqui escrever este post-monstro), o que eu tenho a dizer tanto ao @Cardoso, quanto aos seguidores dele que ficaram me julgando e criticando por causa da minha opinião, é que antes de criticar a opinião dos outros, prestem mais atenção ao que a pessoa realmente quer dizer, e respeitem o dom que Deus nos deu do livre-arbítrio (e que somente ele tem o direito de tirar).

O @Cardoso critica o fato de a doação de órgãos não ser presumida, culpando os religiosos por isto, e critica também quem não aceita esta e outras questões relacionadas com a Medicina. Ou seja: ele estava criticando fanatismo religioso, usando uma espécie de fanatismo em favor da medicina. Combater fanatismo com mais fanatismo? (“O meu é melhor que o seu…”) Isso é hipocrisia! É passar por cima do nosso direito divino ao livre-arbítrio.

Acho que os religiosos tem todo direito de defenderem e seguirem as suas crenças, bem como os que escolheram confiar cegamente na Medicina tem o direito de fazê-lo, desde que isto não esbarre no direito do próximo. Cada um com suas escolhas! Se alguém falar pra mim: “Eu vou abortar!”, eu vou responder: “É uma escolha sua!”. E se esta mesma pessoa perguntar a minha opinião, eu vou explicar o meu ponto de vista, a partir da minha religião (sou contra), mas vou manter como palavra final: “Mas esta é a MINHA OPINIÃO. A escolha TEM QUE SER SUA, baseada apenas em sua consciência.”

Isto é que é respeitar o próximo. Tenho as minhas convicções e respeito a dos outros. Não vou sair por aí chamando a pessoa de “assassina” por ter feito aborto, porque não cabe a mim julgar. Não me venham religiosos e ateus falar em respeito, se não estiverem respeitando as crenças e convicções uns dos outros. Repito: isto é hipocrisia.

E, sobre as vacinas, mantenho o que eu disse: quem acha seguro e quer tomar/dar aos filhos, que o faça. Mas, PELO MENOS, faça depois de se aprofundar e conhecer os prós e contras, porque eu acredito que todos temos direito a fazer nossas escolhas com base no CONHECIMENTO, e não porque alguém mandou/induziu.

Enfim… vamos ser mais tolerantes com o outro e respeitar as individualidades, minha gente! De resto, é não desistir e continuar batalhando para termos uma educação de qualidade e governantes melhores neste Brasil.

Senta que lá vem história… O post de hoje é quilométrico!

Na manhã de hoje, no Twitter, eu tive mais um exemplo da dificuldade que muita gente tem que interpretar o que o outro diz/escreve. Acredito que seja porque as pessoas estão tão acostumadas com a mania de falar em meias palavras, de deixar claro o que quer falando de forma direta, que acabam interpretando mal quando topam com alguém que, como eu, gosta de simplificar.

O @cardoso (http://twitter.com/Cardoso) estava tuitando críticas aos religiosos que, por opção, escolhem não doar órgãos, ou não doar sangue, etc. Em um dado momento, ele citou as vacinas (http://twitter.com/Cardoso/status/10568359995). Neste momento, eu apresentei a minha opinião sobre o tema. Seguem os tweets que trocamos (só retirei as partes em que usei exemplo, me atendo ao principal, mas quem quiser ler completo, pode entrar na página do @Cardoso e na minha para ler tudo):

Eu:
1) O maior problema com as vacinas, no meu entendimento, é a ausência de informações sobre os reais riscos que elas podem oferecer.
2) Em alguns países, os pais têm q assinar termo de responsabilidade assumindo q conhecem os possíveis riscos antes de vacinar o filho,
3) Aqui a vacina é simplesmente empurrada, sem qq informação. Sem falar qnd dão 2, 3 de uma só vez, sem avisar dos efeitos colaterais.
4) Eu jamais daria, por exemplo, Tamiflu a minha filha. Não houve tempo suficiente pra testarem essa vacina e já querem nos empurrar.
[Abre parênteses]Aqui eu me confundi e chamei a vacina contra a gripe H1n1 de “Tamiflu”, quando na verdade este é o nome do antiviral que está sendo utilizado no tratamento da doença.[Fecha parênteses]

@Cardoso:
1) O que mais existem são informações sobre os “reais” riscos. Ex: O mundo civilizado desde os anos 50.
2) Existem dois riscos: ).00001% de chance da criança ter uma reação e 100% de chance de pegar sarampo se não tomar.
3) TODA campanha de vacinação alerta dos efeitos colaterais.

Eu:
5) Existe pra quem tem estudo, se informa. E os q não têm instrução, q não são orientados nos postos médicos? O pobre é quem + sofre.
6) Enfim… Um dos grandes problemas da saúde pública no Brasil passa pela falta de uma Educação de qualidade pro nosso povo.

@Cardoso:
4) muito bom @LiaSMarcondes você está certa. Vacinas são perigosas, não vacine sua filha. Darwin e fabricantes de caixões agradecem.

Acho que já deu para entender o que houve? Como eu disse no Twitter, é como se estivesse escrito “não quero bolo hoje” e a pessoa entendesse: “eu odeio todo e qualquer tipo de bolo”. Interpretação de texto: ZERO! Seguimos a partir daqui.

Uma pessoa determinada a discordar de você, tem a capacidade incrível de distorcer tudo o que você diz. Citei o caso de um bebê que vi seriamente doente porque tomou dois tipos de vacina que, descobri depois ao pesquisar, tem uma incidência muito grande de reações fortes se tomadas juntas. Se a mãe daquele bebê tivesse sido avisada da possibilidade de uma reação como a que o filho dela teve, ela teria tido a chance de escolher assumir o risco de dar as duas vacinas juntas, ou de dar uma e, depois de um intervalo, dar a outra. Na segunda opção, o pobrezinho não teria sofrido com a forte reação à junção das duas vacinas que teve. E quando disse à minha pediatra que no posto de saúde brigaram comigo porque recusei a dar as duas vacinas juntas, e fiz a opção pelo intervalos, ela não apenas disse que era exagero meu, como quis fazer parecer que não era nada demais. Aí falei que tinha na recepção do consultório dela um bebê esperando atendimento justamente por ter tomado as mesmas vacinas JUNTAS, e ela disse: “Ah, é só um caso em centenas.”

Claro, doutora… É “só um caso” porque o filho não é SEU. Se a cada, sei lá, 5 milhões de pessoas que tomam um certo remédio, 50 morrerem, “são só 50” se entre os 50 não estiver você ou alguém que você ama. É assim? Ou seja… se é com os outros ou na família dos outros, é “dado irrelevante”. Simplesmente absurda esta lógica! Se a coisa não é 100% segura, não adianta ficar mascarando e pintando um quadro feliz. Se existe 1% de chance de dar errado, eu tenho direito de saber disso e escolher se quero ou não assumir este risco.

Eu não estou aqui pregando para ninguém que vacina é perigoso e que as mães não devem vacinar seus filhos. Estou defendendo que esta, assim como qualquer outra decisão que tomamos em nossas vidas, deve ser uma questão de escolha. E defendo que esta escolha seja baseada em conhecimento total dos fatos.

Aqui vão me dizer: “Ah, mas e um analfabeto lá vai entender o que é efeito colateral? As doenças precisam ser erradicadas e esse povo só toma assim, sob pressão, só tomam se obrigados.”

Espera um pouco… Então é esta a justificativa para a vacinação ser compulsória (praticamente obrigatória, porque se uma mãe resolver não vacinar, é logo acusada de ruim e negligente e querem logo tirar a guarda dos filhos dela, não importa quão boa ela seja para eles)? Para combater a ignorância, vamos usar a força bruta? Na minha opinião, se a questão esbarra na ignorância do povo, então o problema é outro. Como eu também disse no Twitter: no Brasil nós vivemos uma “democracia” onde os nossos “direitos” são todos obrigatórios ou compulsórios, menos uma Educação de qualidade.

Aliás, posso falar com segurança do ponto de vista de quem já militou “do outro lado”, como profissional de saúde que fui, que grande parte dos problemas de saúde do brasileiro se deve a dois fatores: 1) Total deficiência na Educação (desde a sua base até o acesso); 2) Má vontade política. No final da década de 90, fui voluntária de campanha de vacinação, indo para o meio mato do sertão baiano levar vacina nos povoados mais distantes. Lá eu via de tudo… e tudo o que eu via poderia ser resolvido com instrução e boa vontade dos políticos responsáveis por aquela região. Criança morrer de GRIPE, minha gente… GRIPE! O que é isto, senão o fruto de uma cadeia de fatores que, no fim, nos levam aos menos 2 itens que relatei. Duvidam? Vejamos alguns fatos daquela história:

A) Os pais, analfabetos, viviam de agricultura de subsistência, mas entregues ao tempo, sem qualquer conhecimento de técnicas de convívio com a seca (como cavar poços, construir sisternas para armazenar água, etc). (Refere-se ao item 1)
B) A casa ficava em um distritozinho distante, à beira de estrada de terra, sem saneamento básico, e uma fossa foi construída nos fundos da casa, bem perto da casa, sem qualquer cuidado ou isolamento. (Refere-se ao item 2)
C) Sem escolas perto, as crianças também não tinham acesso ao estudo. Mesmo as mais velhas, de 10 anos, ainda eram analfabetas. (Refere-se ao item 1)
D) O bebê que morreu de fraqueza depois de uma gripe, a mãe disse que levou num hospital e lá eles disseram que a criança estava desnutrida, e por isto não resistiu a uma doença simples, que acabou se tornando mais forte, porque o corpinho do bebê não foi capaz de se defender sozinho com a falta de nutrientes. A mãe, chorando, me contou que já tinha tentado emprego ‘na cidade’, mas que nem pra faxineira estavam aceitando gente que não sabe ler. (Refere-se ao item 1) Contou ainda que demorou a levar no hospital, porque era muito longe (Refere-se ao item 2) e ela teve que sair tentando de porta em porta com os vizinhos, juntar centavos que e outro davam a ela, pra pagar um transporte que a levasse ao hospital (Refere-se ao item 2) com o bebê. Quando ela conseguiu juntar o dinheiro que precisava (que nem era muito… menos de 15 reais), a criança já estava bem fraca. Ficou 2 dias no hospital e acabou morrendo, porque demorou muito naquele estado de desnutrição+gripe.

Quer dizer… Se essa mãe tivesse estudado, poderia ainda ser pobre? Poderia. Mas ela poderia ter um trabalho remunerado? Poderia. Se além de ter um trabalho, nosso governo oferecesse um salário signo e cobrasse menos impostos, ela poderia com a sua renda, ainda que fosse pequena, dar uma alimentação decente para seus filhos, evitando a desnutrição? Poderia. Se tivesse educação, ela poderia ter entendimento sobre a importância da higiene na prevenção de várias doenças? Poderia. Se os governantes locais oferecessem acesso fácil aos serviços de saúde e transporte gratuito para aquele povoado, ela poderia ter levado a criança a um médico em tempo hábil? Poderia.

Olhem quantas oportunidades de ter salvado a vida do filho essa mãe perdeu, por falta de uma educação de qualidade, de acesso fácil a todos, e por causa da má vontade política em resolver os problemas!

Então, voltando ao foco da conversa que originou o post, o que eu tenho a dizer é: antes de criticar a opinião dos outros, preste atenção ao que a pessoa realmente quer dizer, e respeite o dom que Deus nos deu do livre-arbítrio (e que somente ele tem o direito de tirar).

Acho que os religiosos tem todo direito de defenderem e seguirem as suas crenças, bem como os que escolheram confiar cegamente na Medicina tem o direito de fazê-lo, desde que isto não esbarre no direito do próximo. Cada um com suas escolhas! Se alguém falar pra mim: “Eu vou abortar”, eu vou responder: “É uma escolha sua.”. E se esta mesma pessoa perguntar a minha opinião, eu vou explicar o meu ponto de vista a partir da minha religão (sou contra), mas vou manter como palavra final: “Mas esta é a MINHA OPINIÃO. A escolha TEM QUE SER sua, baseada apenas em sua consciência.”

Isto é que é respeitar o próximo. Tenho as minhas convicções e respeito a dos outros. Não vou sair por aí chamando a pessoa de “assassina” por ter feito aborto, porque não cabe a mim julgar. Não me venham religiosos e ateus falar em respeito, se não estiverem respeitando as crenças e convicções uns dos outros. Isto é hipocrisia…

O @Cardoso estava criticando o fato de a doação de órgãos são ser presumida, culpando os religiosos por isto e criticando quem não aceita esta e outras questões relacionadas com a Medicina. Ou seja: ele estava criticando fanatismo religioso, usando fanatismo em favor da medicina. Combater fanatismo com mais fanatismo? “O meu é melhor que o seu…” É hipocrisia! É passar por cima do nosso direito divino ao livre-arbítrio.

E, sobre as vacinas, mantenho o que eu disse: quem acha seguro e quer tomar/dar aos filhos, que o faça. Mas, PELO MENOS, faça depois de se aprofundar e conhecer os prós e contras, porque eu acredito que todos temos direito a fazer nossas escolhas com base no CONHECIMENTO, e não porque alguém mandou/induziu.

Enfim… vamos ser mais tolerantes com o outro e respeitar as individualidades, minha gente! De resto, é não desistir e continuar batalhando para termos uma educação de qualidade e governantes melhores neste Brasil.

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